A luta é espiritual

A luta é espiritual

A depressão mata mesmo, e se você não lutar, ela vai te matar

Quem sou eu? Como foi que vim parar aqui?

Ao cair da noite, o dia se apaga. A escuridão irrompe, e se interrompe à luz da lua, que vem me confortar. Me alenta tamanho silêncio deste lugar.

Longe de tudo, longe de todos. Se estou sozinho, não tenho o que odiar.

Não, eu não sei que lugar é este. Não sei como fui chegar aqui. E nem sei se quero sair. Eu já não sei mais o que eu quero para mim.

Mas aqui, neste lugar, finalmente eu posso descansar. Parar de camuflar e fingir o que não sinto em mim.

Outros não entendem, eles nunca vão saber. Por trás de um sorriso, pessoas escondem tudo aquilo o que não querem mostrar.

Tristeza. Solidão. Depressão.

Sentimentos escuros, fraquezas do coração.

Raiva. Mágoa. Rancor.

Emoções opacas, sem nenhuma remissão.

Tudo aquilo que já te fez mal, ainda te faz mal, e pode continuar fazendo para sempre.

Experiências ruins te mudam por dentro e te fazem assim.

Você tem medo que as pessoas não gostem de você, então você não gosta primeiro.

Você tem medo que as pessoas se afastem de você, então você se afasta primeiro.

Você tem medo de se magoar na convivência com alguém, então você vive sozinho.

Você tem medo de tudo o que possa te fazer mal, então abre mão do que pode ser bom também.

Mas arriscar pra quê, se você sabe que no final sempre será ruim outra vez?

Dores machucam, e você simplesmente não aguenta mais tanta tortura.

À esta altura, nada mais importa. Estamos no último estágio da dor humana.

Você se deita, e não há mais razão para se levantar.

Você se entrega, mas não há trégua em toda a dor que a depressão quer te causar.

Você desiste. Mas desistir não é o fim. Não há fim para coisas assim.

Complicado? Se fosse fácil não seria um problema.

Você se sente preso mesmo estando sem algemas. E tudo o que te resta é lutar.

Lutar pela vida, pelo direito de viver. Você tem este direito e nada pode arrancá-lo de você.

Mas como conseguir? Eu não sei. Mas sei que é possível.

É possível superar a depressão. Talvez não curá-la.

Curar é uma palavra de tom definitivo, e definitivo não é o que acontece aqui.

Você pode superar a depressão se tornando mais forte do que ela. Impedindo que ela comande quem você é e o que você faz.

Mas não se engane, ela sempre vai estar como o diabo ao derredor, esperando uma chance pra te devorar.

A luta é espiritual, e hoje eu descobri que a paz que tanto procuro, só em Deus eu posso encontrar.

A depressão mata. Com gritos surdos, você faz pedidos de ajuda, sem ninguém te escutar. A depressão mata mesmo, e descobri que, sem Deus, ela vai te matar.

Por L. Hideki Anagusko

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Porque já tem rancor demais

Porque já tem rancor demais

Ei, colega. Você já pensou em viver uma vida sem estereótipos? Sem prejulgar como são as pessoas ou quais suas intenções? Sem comparar uma com a outra ou tentar advinhar como talvez seriam suas relações?

Você pode pensar que esta mensagem não seja para você, mas, de repente, talvez seja algo para você pensar melhor, se pensa que não pensa assim.

Só de nós pensarmos que já conhecemos uma pessoa, ou que sabemos o que vai acontecer numa relação com ela, com base na experiência conseguida com outra, ou nas palavras que alguém por aí falou, bem, nós já estamos estereotipando. Afinal, estereótipos são pressupostos que tomamos sobre determinadas pessoas sem delas ter conhecimento. Ao fazermos isso, estamos rotulando aquela pessoa como um tipo, igual a outros.

Acontece que ninguém é igual a ninguém, apesar de muitos serem parecidos em algumas – poucas ou muitas – coisas.

Eu posso te dizer que, nesta vida, há tantas pessoas que estão ou já passaram ao teu lado, e que você nem  viu, ou viu mas nunca enxergou que podem ou poderiam ter sido, para ti, a pessoa mais incrível deste mundo, o amor da tua vida.

Sim, eu posso dizer. Sabe por quê? Porque, na verdade, muitas vezes o próprio amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.

Quero dizer que amar os amigos e família é fácil, porque amar alguém que nos faz bem é natural. No grego, esse é o amor PHILOS. Mas Jesus diz que devemos amar até os nossos inimigos e orar por aqueles que nos maltratam, esse é o amor Ágape, um amor genuíno, incondicional e perfeito (1 Coríntios 13:4-7). Agora, esse amor de que mais falamos, o amor EROS, aquele entre homem e mulher, um amor mergulhado em paixão e romantismo, esse normalmente nós desvirtuamos e deturpamos por conta do preconceito fruto de más experiências, discriminações e implicâncias.

Não quero dizer para você dar uma chance à primeira pessoa que lhe der um “oi” que então vocês vão se amar e se apaixonar e viver um conto de fadas. Mas quero dizer que, com qualquer pessoa, conheça antes de julgar como ela é, o que ela quer e como vai ser. Tente entender que a vida oferece mais do que se pode ver.

É claro, procure sim ser feliz por si mesmo primeiro, não busque isso em ninguém. Seja feliz primeiro e então deixe que a vida lhe traga alguém com que você possa compartilhar a sua felicidade. Mas para isso, abra as portas. Viva com Deus. Receba o amor do pai e compartilhe o amor do pai. O mundo precisa de amor, porque já tem rancor demais.

– Léo Hideki Anagusko

27 de Julho – Aquele Dia Aconteceu

27 de Julho – Aquele Dia Aconteceu

Naquele dia ele estava angustiado. Os problemas que surgiam, ele parecia não conseguir resolver. Havia ido para a capital fazer um trabalho e aproveitou para ouvir as reclamações do inquilino de uma das casas de seus pais. O homem dizia haver um vazamento no quarto. Quando ele entrou lá, seus pés mergulharam na água, que jorrava pelo teto, escorria pelas paredes, e convergia num pequeno lago aonde deveria estar o chão. De repente se acometeu pávido. Jamais imaginara que fosse algo tão grave. O homem já havia perdido a cama, a televisão, e agora a estrutura da casa começava a correr risco.

No início ele pensava que não ficaria mais do que um ou dois dias, mas a semana já ia acabando, e a preocupação só fazia aumentar. Naqueles dias marcara com mais de meia dúzia de pedreiros, porém ninguém aparecera. Sua mãe estava distante, repousando em casa depois de operar o tornozelo. Semanas antes ela caíra da escada, e sofrera tripla fratura. Naquela noite viajara por três cidades, procurando algum lugar que pudesse prestar o tratamento adequado. Passara a madruga em claro e seguira para um hospital a 70 km na manhã seguinte para interná-la, onde ela passaria os próximos quinze dias. Não fora um procedimento fácil. Sua mãe tinha problemas no coração, sofrera três enfartos, e por isso tomava remédios para afinar o sangue. Os médicos diziam que com o sangue fino, havia risco de ocorrer uma hemorragia no momento da operação. Por outro lado, suspender os remédios por muito tempo poderia incorrer em seu quarto enfarto. Neste tempo ele viajara 140 km todos os dias, entre sua casa e o hospital, em idas e vindas. Ele estava exausto. Mas depois de muitas ponderações, a cirurgia fora feita com sucesso, e sua mãe ganhara nove pinos e uma placa, que carregara consigo para o resto da vida.

Seu pai não aguentava mais o stress, e o fato de o inquilino ser estrangeiro também não ajudava muito. O homem não falava bem o português, por isso apenas ele era capaz de se comunicar. Mas não era só isso. Naqueles dias ele sentira o peso do mundo em suas costas, e tentava se manter forte pois sabia, as pessoas esperavam isso dele. Seus pais estavam fracos, seus parentes o admiravam, seus colegas o olhavam, todos sempre tiveram tantas expectativas. Mas ele estava com medo. Seu trabalho estava em risco, seus projetos estavam em perigo, problemas irrompiam por todos os lados. Tantas responsabilidades e tão pouca maturidade. E se eu não conseguir resolver? E se nada der certo, se eu não for bom como esperam?

Às vezes tudo o que queremos é um pouco de apoio, uma palavra de conforto, uma luz para acreditar que tudo vai ficar bem. É como diz aquela música:

Não tem jeito. Algumas vezes você vai ficar triste. Lágrimas cairão, até poesia não pode esconder esse fato. E algumas vezes você não pode evitar de se sentir mais feliz quando ouve aquelas palavras. E com um sorriso vai cantar aquele poema e então…

Há tempos, as desilusões lhe fustigaram. Seus sonhos haviam se perdido em meio às tempestades que afligiram seu céu e assolaram sua terra. Ele não queria mais nada, mais ninguém. Trancara-se em seu próprio mundo, longe de todos, longe de tudo. Abandonara amigos, parentes e colegas. Desistira de Deus, desistira da fé, perdera a esperança. Ficara sozinho.

Mas ele se orgulhava de sua solidão. Era como a cicatriz de uma ferida de guerra. E ele usava isso como paládio, para se blindar das tormentas que a vida trazia. Era a sua segurança. A solidão era o que ele era. Na escuridão era onde ele vivia.

Mas naquele dia enfim reparara que não estava sozinho. Há pouco menos de um mês conhecera uma menina. Cheia de amor. Cheia de alegria. Ela havia sofrido coisas que uma menina jamais deveria sofrer. Mas mesmo assim era feliz. E isso o abismou. Não compreendia como alguém podia carregar tantos estigmas, e ainda assim conseguir sorrir dia após dia. E por todo esse pequeno tempo, fora ela quem lhe dera todos os raros motivos para seus próprios tímidos sorrisos. Por esse pequeno tempo, ela o fez companhia. Ela lhe trouxera brandura. O visitara em seus sonhos, segurara suas mãos, tocara seu coração. Ela o chamara de volta para cima.

Sem perceber, aos poucos algo ia acontecendo. Aquela menina alegre, sorridente, forte e feliz estava com ele. Ali, aonde mais ninguém podia chegar. Um lugar escondido, um lugar deserto, um lugar isolado, só dele. De repente, no meio do silêncio, tantas palavras. No meio do vazio, um sentimento brotava. Algo estava acontecendo. Ela tinha chegado. Ela havia entrado. E ele não estava mais tétrico. Ele ganhara carinho. Um brilho começara a iluminar seu caminho. Ele recebera a luz e agora podia enxergar.

Naquele dia ele teve medo. Não sabia bem o que estava sentindo. Mas percebera que era bom, que queria mais, que havia paz no meio de tanto tumulto. Naquele dia ele teve medo, não queria mais sofrer o que já sofrera, mas sentia algo tomar o seu peito.

Dizem que é na brincadeira que se diz a verdade. Não é preciso nenhum estudo para saber disso. Naquela tarde ele brincou, não saberia falar de outro jeito. Naquela tarde ele disse o que queria dizer. E fora tão estranho. No meio de uma frase qualquer, ele a pediu em namoro. Ela disse “aceito”.

Algumas coisas desejamos tanto que todo o resto parece não importar. Quando não conseguimos, a decepção pode ser cruel. Ela pode nos fazer querer desistir.  Mas então um dia, Papai do Céu no trás um presente. Aquele que a gente não faz ideia do que é, nem para que serve, nem mesmo entende o seu porquê. Mas o homem lá de cima sabe o que faz, e algumas coisas simplesmente não precisam fazer sentido, basta valer a pena.

Aquele dia, aquela pergunta, aquela resposta, aquele caminho. Aquela menina mudou seu destino. Ela sabia coisas, e ensinou para ele. Ela acreditava em coisas, e passou para ele. Aquele menino assustado voltou a acreditar. Ele saiu das sombras. Ficou de pé. Retomou o seu lugar. E ele pensou quem sabe é isso que é o tal do amor. Pode ser. Mas foi só um vislumbre. Na realidade eles mal haviam começado. Mas naqueles poucos dias de inverno, ela havia dado muito de si. O bastante para que ele pudesse subir. Ela o trouxe de volta à vida, e agora ele podia prosseguir.

Há coisas na vida que são tão fortes, tão belas, tão especiais, que com palavras não se pode explicar. Então a gente não diz nada, simplesmente sente.

Naquele 27 de Julho de 2014, às 13h38min, ele fez um pedido que o mudara para sempre. Ganhara um presente dos céus. Um regalo divino. A lógica dizia para esquecer, mas naquela tarde, a lógica provou estar errada. Ele jamais esperara receber do nada algo tão importante em sua vida. Mas aconteceu. E ele cresceu, e se tornou melhor.

E hoje ele está triste por não tê-la mais ao seu lado como fora um dia. Mas está feliz por tudo o que ela fez e pelo que ela significa para ele. E agora ele sabe o que fazer. Ele vai continuar respirando, porque amanhã o sol vai nascer de novo, e quem sabe o que a maré pode trazer?


Escrevi este conto em 2014, para uma namorada que eu havia acabado de perder. A história é real e ganhou outros capítulos não contados, mas até hoje esse texto estava guardado, até que finalmente me livrei das mágoas e traumas do passado. Agora o publico pois o vejo como apenas arte. E como outrora eu disse:

Acredito que Arte é a fascinante forma de capturar um sentimento puro e materializar em uma obra. Seja ela um livro, um filme, uma peça, uma pintura ou uma poesia. É por isso que há tantas pessoas que não sabem reconhecer e nem valorizar a arte. Porque na verdade, são vazias por dentro.

– Hideki Anagusko

O inimigo não está lá fora

O inimigo não está lá fora

Eu não tenho respostas, apenas uma coisa importante para contar

A saudade é um sentimento tão estranho. Claro que cada caso com seu próprio grau de intensidade – mas essencialmente você se sente mal por lembrar de algo bom. Algo que já se passou, assim como acontece com tudo, não? Afinal, a própria vida é uma coisa efêmera. Não viemos para ficar, estamos de passagem.

Mas então por que tantas vezes nos pegamos gastando parte do nosso pouco tempo disponível pensando no passado? Por que tantas vezes sentimos saudades?

Eu não tenho respostas, mas tenho uma opinião. Tenho a opinião de alguém que muitas vezes sente saudades. Saudades ruins.

Na minha opinião, a razão por trás disso é simplesmente medo. O medo de não conseguir ser forte o bastante para superar os momentos ruins. Medo de não conseguir viver experiências boas novamente. Medo de não ter aproveitado bem o suficiente tudo aquilo que já se passou.

E pode parecer simples ao apenas dizer “é preciso ter confiança”, mas nem sempre é simples corporificar.

É como num jogo de futebol: se você errar o primeiro, o segundo, o terceiro passe, em três toques na bola, por melhor que você seja, é muito fácil se abater psicologicamente, comprometendo o seu desempenho para todo o restante do jogo.

Se na sua vida você entra em uma fase ruim, e parece que nada que você tente da certo, não é fácil manter a confiança. Não é fácil encontrá-la depois que se perde.

Eu não tenho respostas, tenho apenas o meu ponto de vista. E dele eu vejo que talvez o problema seja justamente algo que nunca vemos. Algo geralmente dentro de nós mesmos.

Talvez o problema seja o valor que damos aos problemas. Talvez a razão de por tantas vezes nos vermos infelizes em tal momento, seja a cobrança que nos fazemos sobre aquilo que deveria ser, mas que não é.

Será que por algo não ser como imaginamos que deveria ser, não vale nada? Será que o almoço que deveria ser salmão defumado não presta porque é ovo? Será que a paquera que deveria ser loira, de 1,70mt e 55kg não pode virar namoro porque é morena, de 1,55mt e 70kg? Será que o trabalho que deveria ser no escritório chique na Rebolças e pagar R$5 mil por mês é uma porcaria porque é num escritório abarrotado em Itaquera, pagando um salário mínimo?

Eu não tenho respostas, muito menos tenho a pretensão de querer ensinar como ser feliz. Mas nesse momento eu escrevo apenas para alertar sobre como não ser, pois disso sim eu entendo bem.

A auto-cobrança exacerbada provavelmente é a vilã mais poderosa que alguém pode enfrentar na busca pela felicidade. Isso porque é uma vilã oculta, sempre pronta para sabotar seus planos, suas conquistas, seu estado de espírito.

Neste ponto da vida, eu entendo que não se trata de procurar ter confiança. Mas se trata sim de não preconizar os problemas. De não elevar a cobrança acima daquilo que depende apenas de você o resultado. De não colocar no pedestal qualquer contrariedade.

No fim, o inimigo não está lá fora, está aqui mesmo dentro de nós.

 

Por L. Hideki Anagusko

Como sombras

Como sombras

Na carreira, assim como na vida, muitas pessoas deixam de evoluir por medo ou prepotência. E quando fica difícil, procuram alguma coisa para culpar. Mas afinal, o que temos de entender ainda?

“O problema que a maioria de nós tem é que preferimos ser arruinados por elogios do que salvos por críticas.” –  Norman Vincent Peale.

Infelizmente essa é uma verdade que afeta toda a sociedade desde o início dos tempos e boicota por diversas vezes o nosso aprendizado, minando grande parte do potencial de cada um de nós.

Desde nossa concepção, estamos sempre em constante evolução. A cada dia vamos conhecendo coisas novas, descobrindo como o mundo funciona, entendendo nossa existência em toda sua sublimidade, ainda que repleta de adversidades.

Quando crianças, temos um escudo mágico que se empenha em não deixar que nada de mal nos aconteça. Esse escudo, quase intransponível, atende pelo nome de pai e mãe. Eles tentam ao máximo conseguir nos ensinar tudo aquilo que seus pais um dia lhes passaram, e, mais ainda, todas as lições aprendidas com as experiências que tiveram. Tudo isso para que possamos assimliar  a vida sem marcas, sem mágoas e sem feridas.

Mas um dia a gente cresce e tem que viver. Mas nós nunca estamos prontos. E a gente vai errar, a gente vai se machucar, e vai se lamentar. E também vamos acertar, vamos sorrir e vibrar. Tudo faz parte da jornada, assim como existem dias claros e felizes, também existem aqueles dias mais cinzentos.

Agora, é claro que todos nós buscamos o sucesso. Todos temos sonhos e lutamos para conseguir conquistá-los. Por isso sempre buscamos aprender mais, ouvir mais, olhar mais, treinar mais e fazer mais. Certo? Não sei. Muitas vezes talvez. Mas acho que não sempre.

Em algum ponto da vida – ou melhor, em alguns momentos dela – por algum motivo estúpido acreditamos que sabemos demais sobre algo, que somos os melhores, e que não há ninguém que possa nos ensinar nada mais sobre aquilo. Às vezes, porque temos um título universitário conseguido “nas coxas” depois de ralar na DP e copiar dos amigos nas provas. Às vezes porque somos mais velhos, e nossa experiência obrigatoriamente fala mais alto que a de jovens geeks que querem fazer um serviço diferente demais para a gente entender.

E quando o que fazemos é questionado e criticado, de repente o céu se fecha e buscamos controlar em nosso íntimo um sentimento sombrio que tenta se apossar de nós. Hora apenas um desdém sarcástico, hora uma raiva pranteada, hora um ódio fulminante.

A verdade é que ninguém gosta de receber críticas, mas o problema é que a maioria não aceita e não sabe lidar com ela.

E então elas abandonam seus sonhos, abrem mão de seus desejos, e jogam fora suas chances. E por quê? Porque ser melindroso, reclamar e desistir é muito mais fácil do que ter coragem e seguir em frente. E quando fica difícil, procuram alguma coisa para culpar. E assim elas se escondem. Como sombras.

Veja, ninguém vai errar sempre e ninguém vai acertar sempre, pois todo mundo está em constante evolução. Nunca estamos prontos, e sempre temos o que aprender com todos. Seja mais velho ou mais novo, mulher ou homem, mais rico ou mais pobre. Todos sabem coisas que outros não conhecem. Sem distinção.

Nunca podemos achar que sabemos o bastante, pois sempre poderá haver algo novo com o que não conseguiremos lidar. Não obstante, será que o que fazemos hoje é realmente tão bom? Será que o que sabemos hoje é realmente tanto? Será que ninguém faz melhor ou que ninguém sabe mais do que a gente?

Nunca saberemos todas as respostas do mundo, e haverá muitos momentos de erros. Mas nós só temos que ter coragem o bastante para arriscar e humildade o suficiente para aprender.

 

Hideki Anagusko

Um dia

Um dia

E um dia nos encontraremos na rua e não olharemos nos rostos um do outro. Tentaremos fingir que não nos conhecemos. Que todas aquelas palavras nunca foram ditas. Que nossos lábios jamais se tocaram. Que nossos corpos jamais se cruzaram. Tentaremos ignorar tudo aquilo que um dia juramos ser para sempre. Que acreditamos ser eterno. E talvez, por um instante, até gostaríamos que fosse. Que pudéssemos voltar no passado e que pudéssemos mudar o futuro. Mas então retornaremos ao presente. E aí perceberemos que o que dissemos não foi mentira. Apenas descobriremos que prometemos algo impossível de cumprir. Porque tudo o que começa, um dia tem seu fim.

L. Hideki Anagusko