Até quando vamos nos sabotar?

Até quando vamos nos sabotar?

Estamos viciados em ser infelizes e a culpa é nossa!

Tenho 28 anos e sou apaixonado por filmes. Com essa idade realmente já assisti um número incalculável de obras e posso dizer que muitas me marcaram. Claro, assim como você, tenho alguns filmes favoritos, mas de todos os que já assisti, certamente o que mais gostei até hoje foi O Último Samurai. Em muitos aspectos é uma grande lição de vida.

Sinceramente eu invejo o estilo de vida daqueles homens. A mente forte, o apreço pelas coisas mais simples. A busca pelo autoconhecimento. É tão admirável! E se faz inevitável comparar com quem somos agora.

Por que nós temos tantas preocupações tão tolas? Por que damos tanta importância a coisas que essencialmente não são importantes à nossa vida? Por que temos que condicionar a nossa felicidade a coisas que não temos e pessoas que não nos valorizam?

Bem, refletindo sobre isso, acho que talvez esses 2 pontos possam ajudar a responder:

1- Critérios Sociais

O ser humano é um ser social, que vive em grupos, que sente a necessidade de pertencer a grupos. E para pertencer a tais grupos, nos deixamos ser dominados pelos seus critérios. É uma autossabotagem programada.

A nossa convivência social nos faz acreditar que precisamos disso e daquilo para ser alguém. Que se nós não viajarmos, não comprarmos o último iphone, ou mesmo se não tivermos o corpo ideal na medida que o mundo gosta ou um emprego legal com algum status, seremos rejeitados e deixados de lado, sem atenção. Não seremos ninguém. Ficaremos para trás e não seremos felizes.

E nós não apenas acreditamos nisso, como também replicamos, e ajudamos a programar a autossabotagem de mais alguém.

2- Dependência Emocional

Da mesma forma, não fomos feitos para ficarmos sozinhos, temos a necessidade biológica de encontrar um par. Nos falta algo quando estamos sozinhos, é normal. Mas para alguns de nós esse sentimento é mais duro.

Somos pessoas carentes, com grandes dificuldades em lidar com a solidão. E não apenas com a solidão, mas com a falta de amor. Não encontramos amor o suficiente em nós e buscamos em ourtas pessoas. E assim às colocamos no centro de tudo. Nos tornamos dependentes emocionais. E uma simples mudança na forma como essas pessoas nos tratam abala toda a nossa estrutura e nos desequlibra.

Mas nós nunca aceitamos, porque não sabemos ficar sozinhos. Temos medo e fazemos de tudo para fugir do vazio.

O grande problema disso tudo é que isso nunca acaba.

Primeiro que nunca vamos ter todas as coisas que supostamente teríamos que ter. Sempre que consquistarmos alguma, logo a conquista perderá seu valor e voltaremos a pensar no que ainda não temos.

Segundo que muitas vezes nos sujeitamos a ter ao nosso lado pessoas que não nos merecem, aceitando menos do que devíamos pelo simples medo de ficarmos sozinhos. Nos diminuímos para caber nos outros. Nos negligenciamos e nos machucamos por um amor sem reciprocidade.

E ainda assim, mesmo que encontremos pessoas boas, a verdade é que a grande maioria das pessoas passará por nossa vida mas pouquíssimas ficarão. Não está sob nosso controle, nunca depende só de nós. Fazemos o que podemos e então é com Deus.

Assim, quando depositamos nossa felicidade em coisas e pessoas, nos condenamos à frustração, pois coisas não duram e pessoas se vão.

Mas mesmo sabendo disso, nós repetimos o ciclo cada vez que ele acaba. Por quê?

Estamos viciados em ser infelizes.

Quanto mais tristes ficamos, mais buscamos a felicidade nesses malditos critérios.

Nunca seremos felizes sem paz, e nunca encontraremos a paz enquanto não quebrarmos esse paradigma:

Não dependemos desses critérios.

Se tudo o que temos nunca está bom, o problema está dentro de nós. Isso mesmo, o nosso maior inimigo não vive lá fora, mas sim aqui dentro, em nossa mente.

Certamente deixamos de aproveitar muitas boas oportunidade porque olhamos para o lado errado enquanto seguimos esses critérios.

Segundo a psicoterapeuta paulista Lilian Frazão, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP):

Às vezes, buscamos a felicidade no lado inverso de onde poderíamos encontrá-la. Queremos ser bonitos, elegantes e inteligentes como os outros e deixamos de ser o que naturalmente somos.

Mas voltando à mensagem do filme, o que ainda podemos aprender?

Bem, eu penso que a resposta para isso seja “autoconhecimento”.

Desperdiçamos muita energia e atenção com um excesso de pensamentos infrutíferos que não nos faz bem algum, e que pelo contrário, só nos distrai e traz angústia e mal estar.

Se conseguíssimos nos concentrar apenas no que realmente importa poderíamos ficar em paz e conseguir resultados melhores em tudo o que fazemos.

Somente o autoconhecimento pode evitar a autossabotagem.

Todo mundo tem o sonho de ser feliz. Mas para isso precisamos ter a coragem de sermos nós mesmos. E isso significa correr riscos e assumir responsabilidades.

Precisamos parar de agir como robôs e olhar para dentro para nos conhecermos. Descobrir do que realmente gostamos, o que realmente é importante e ver todo o resto que poderíamos viver sem. Saber entender a diferença entre o que fazemos e o que temos que fazer para sermos quem realmente queremos ser.

Há muito peso a tirarmos das costas. Coisas de que não precisamos e pessoas que não nos agregam. Pelo contrário, somos essencialmente capazes de viver muito bem sem. A vida é muito mais leve sem o peso daquilo que te puxa para baixo.

Então vamos olhar para dentro e deixar para trás tudo o que não nos tras paz.

E vamos fazer isso agora! Até quando vamos nos sabotar?

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Decida-se!

Decida-se!

Quando pequenos, geralmente projetamos inúmeros sonhos a realizarmos quando crescermos. Sonhos de quem ser, sonhos do que fazer, sonhos de onde chegar.

Comumente esses sonhos começam com a nossa independência, a ideia de sair de casa, morar sozinho, fazer o que quiser e não precisar de ninguém. E tudo bem desejar isso, pois isso nos leva em busca da evolução.

Mas então o tempo vai passando. Nós vamos crescendo, e aos poucos vamos assumindo novas responsabilidades. Em certo momento saímos debaixo das asas dos pais. Trabalho, estudos, contas a pagar. É nesta fase que vamos descobrindo como a vida pode ser difícil. Somos jovens adultos.

Dúvidas começam a surgir. Medos começam a aflorar.

Será que vou conseguir ser alguém na vida? Será que eu vou ficar pra trás enquanto os meus amigos estão conseguindo seus empregos, curtindo suas viagens, comprando seus carros? Será que eu devo tentar isso ou aquilo? Será que estou fazendo certo?

O que fazer afinal?

Pois é, a pessoa decidida e independente que você sonhava em ser quando criança em algum momento se perdeu no meio desse caminho.

Neste momento muitas pessoas se veem tentadas a calar sua própria voz e fazer o que lhes é dito a fazer.

Está bem, eu concordo que é importante ouvir opiniões. Você está começando a vida adulta agora e é importante conhecer experiências de outras pessoas que já viveram mais do que você.

Mas não se esqueça que somente você pode viver a sua vida. Então não tenha medo de viver o que você deseja viver.

Nessa estrada muitas vezes você haverá de se deparar com bifurcações. E nessas horas terá que decidir para qual lado seguir.

Quando esses momentos chegarem, escolha o que o seu coração te fala e não tenha medo de seguir por esse caminho.

Tombos são inevitáveis, então a gente tem mais é que se jogar.

Não se sabote abrindo mão do que quer para fugir do que tem medo.

Como vai querer ser independente se fugir até de tomar suas próprias decisões, de decidir por aquilo que mais deseja?

Tome sempre suas próprias decisões e independente do que acontecer, nunca se arrependa. No fim tudo o que importa é fazer o que acredita.

Só temos o agora para viver tudo o que sentimos. E quando chegar ao fim, vai preferir ter vivido pelo que sentia ou pelo que te disseram para fazer?

Quando eu morri

Quando eu morri

Ateísmo: doutrina ou atitude de espírito que nega categoricamente a existência de Deus, asseverando a inconsistência de qualquer saber ou sentimento direta ou indiretamente religioso, seja aquele calcado na fé ou revelação, seja o que se propõe alcançar a divindade em uma perspectiva racional ou argumentativa.

Stephen Hawking dizia que

“A crença da vida após a morte é um conto de fadas para quem tem medo de morrer”.

Pois bem, eu nunca tive medo da morte. Aliás, muito pelo contrário, eu queria encontrá-la. Com o coração vazio, pelas ruas à noite eu a procurava.

Não vim de uma família rica, mas nunca me faltou nada. Escolas particulares, videogames, brinquedos, boas roupas, nenhum importante problema em casa, pais que me amavam. Então por quê? Por que a vontade de morrer quando você tem tudo para viver?

Eu não sabia. Mas aquele sentimento era tão forte que eu não queria saber. Eu queria sentir. Sentir raiva de tudo, raiva de todos. “Se Deus existe, por que me deixa sofrer tanto?” eu pensava. A culpa era dele. Ele não podia existir.

A depressão nasceu comigo, e ela moldou a pessoa que eu era. Desde pequeno ela foi me construindo, e destruindo tudo o que eu podia ser. Ela não queria deixar eu me encontrar com o meu verdadeiro destino, aquele escrito em algum lugar.

A depressão me matava todos os dias. Para quê viver assim?

Mulheres, baladas, bebidas, brigas, e aos poucos os limites iam se acabando.Quando não se ama a própria vida é impressionante o que o ser humano pode fazer. Simplesmente nada te importa.

E quanto mais longe se vai, mais difícil é pra voltar.

Mas mesmo assim, algo me protegia. Não importava aonde eu ia e nem o que eu fazia.

Mas a dor também nunca me deixou. E eu queria fugir dela, queria acabar com ela. E eu tentei. Tentei acabar com ela acabando com a minha vida. Eu tentei me matar. Tentei uma, duas, três vezes. Inexplicavelmente algo deu errado. Inexplicavelmente não aconteceu.

Ficava sem entender e a vida seguia.

Mas de repente, quando as únicas coisas que você realmente ama e se importa sofrem e chegam à beira da morte, tudo é diferente.

A minha vida podia não me importar, mas certo dia fiquei à beira de perder meus pais. Certo dia comecei a perder meus cachorros. E a vida deles sim me importava, e eu já estava no fundo do poço e não havia mais para onde correr.

E nesse lugar, escuro e sem ar, só há um que pode te segurar.

Naquele dia eu chorava muito. Naquele dia, quando ajoelhei, Deus estendeu as suas mãos e então eu às segurei.

Naquele dia eu entendi que não estava sozinho, que havia alguém o tempo todo comigo. Alguém que me protegia e que tinha planos para mim. Planos que eu não entendia. Planos maiores do que sonhei.

Naquele dia eu finalmente morri. Morri para o mundo e nasci para Cristo.

Naquele dia Ele salvou quem eu amava e naquele dia Ele me resgatou.

Hoje eu só venho a ti para dizer que há muito você pode estar se sentindo sozinho e sem razão para viver, mas neste momento, Jesus está te olhando. Aceite o seu amor e veja o milagre acontecer em sua vida.

O vazio e o fantasma das memórias

O vazio e o fantasma das memórias

Quando as coisas não vão bem, a carência de boas emoções traz consigo o fantasma dos bons momentos já vividos, tentando te assombrar.

O vazio te faz refletir sozinho, enquanto você tenta ocupar esse espaço com aquelas boas lembranças que hoje já não te acompanham mais.

Histórias.

Quantas coisas boas já passamos. Quantas pessoas estiveram em nossas vidas sendo tão importantes que pareciam ser eternas.

Fotos com sorrisos. Mensagens gravadas. Uma frase escrita com graveto na areia. “Para sempre”.

Quem diria que nunca mais iriamos nos ver? Quem diria que as conversas constantes do dia-a-dia iriam se acabar. Aquela pessoa que você não podia de forma alguma ir dormir sem dizer ao menos um “boa noite”, de repente se tornou apenas mais uma memória. E aquele lugar onde vocês costumavam se encontrar? Mais uma memória.

Por que isso dói ao invés de alegrar?

As pessoas passam; os momentos passam; a vida não se guarda para depois. Mas o que guardamos são as emoções que sentimos. Tudo isso se eterniza nas memórias. E quando as coisas não vão bem e o vazio aperta, nos preechemos com as memórias.

Esse é o problema: memórias não trazem de volta momentos. Elas nos fazem sofrer por exaltar aquilo que não temos.

Não me entenda mal. As memórias não são coisas ruins, não é o que quero dizer. Pelo contrário, apenas coisas importantes se tornam memórias.

Mas quando estiver sozinho, quando as coisas estiverem difíceis, não chame por elas.

Memórias são boas para quem está bem. Caso contrário, são apenas fantasmas.

A luta é espiritual

A luta é espiritual

A depressão mata mesmo, e se você não lutar, ela vai te matar

Quem sou eu? Como foi que vim parar aqui?

Ao cair da noite, o dia se apaga. A escuridão irrompe, e se interrompe à luz da lua, que vem me confortar. Me alenta tamanho silêncio deste lugar.

Longe de tudo, longe de todos. Se estou sozinho, não tenho o que odiar.

Não, eu não sei que lugar é este. Não sei como fui chegar aqui. E nem sei se quero sair. Eu já não sei mais o que eu quero para mim.

Mas aqui, neste lugar, finalmente eu posso descansar. Parar de camuflar e fingir o que não sinto em mim.

Outros não entendem, eles nunca vão saber. Por trás de um sorriso, pessoas escondem tudo aquilo o que não querem mostrar.

Tristeza. Solidão. Depressão.

Sentimentos escuros, fraquezas do coração.

Raiva. Mágoa. Rancor.

Emoções opacas, sem nenhuma remissão.

Tudo aquilo que já te fez mal, ainda te faz mal, e pode continuar fazendo para sempre.

Experiências ruins te mudam por dentro e te fazem assim.

Você tem medo que as pessoas não gostem de você, então você não gosta primeiro.

Você tem medo que as pessoas se afastem de você, então você se afasta primeiro.

Você tem medo de se magoar na convivência com alguém, então você vive sozinho.

Você tem medo de tudo o que possa te fazer mal, então abre mão do que pode ser bom também.

Mas arriscar pra quê, se você sabe que no final sempre será ruim outra vez?

Dores machucam, e você simplesmente não aguenta mais tanta tortura.

À esta altura, nada mais importa. Estamos no último estágio da dor humana.

Você se deita, e não há mais razão para se levantar.

Você se entrega, mas não há trégua em toda a dor que a depressão quer te causar.

Você desiste. Mas desistir não é o fim. Não há fim para coisas assim.

Complicado? Se fosse fácil não seria um problema.

Você se sente preso mesmo estando sem algemas. E tudo o que te resta é lutar.

Lutar pela vida, pelo direito de viver. Você tem este direito e nada pode arrancá-lo de você.

Mas como conseguir? Eu não sei. Mas sei que é possível.

É possível superar a depressão. Talvez não curá-la.

Curar é uma palavra de tom definitivo, e definitivo não é o que acontece aqui.

Você pode superar a depressão se tornando mais forte do que ela. Impedindo que ela comande quem você é e o que você faz.

Mas não se engane, ela sempre vai estar como o diabo ao derredor, esperando uma chance pra te devorar.

A luta é espiritual, e hoje eu descobri que a paz que tanto procuro, só em Deus eu posso encontrar.

A depressão mata. Com gritos surdos, você faz pedidos de ajuda, sem ninguém te escutar. A depressão mata mesmo, e descobri que, sem Deus, ela vai te matar.

Por L. Hideki Anagusko

Porque já tem rancor demais

Porque já tem rancor demais

Ei, colega. Você já pensou em viver uma vida sem estereótipos? Sem prejulgar como são as pessoas ou quais suas intenções? Sem comparar uma com a outra ou tentar advinhar como talvez seriam suas relações?

Você pode pensar que esta mensagem não seja para você, mas, de repente, talvez seja algo para você pensar melhor, se pensa que não pensa assim.

Só de nós pensarmos que já conhecemos uma pessoa, ou que sabemos o que vai acontecer numa relação com ela, com base na experiência conseguida com outra, ou nas palavras que alguém por aí falou, bem, nós já estamos estereotipando. Afinal, estereótipos são pressupostos que tomamos sobre determinadas pessoas sem delas ter conhecimento. Ao fazermos isso, estamos rotulando aquela pessoa como um tipo, igual a outros.

Acontece que ninguém é igual a ninguém, apesar de muitos serem parecidos em algumas – poucas ou muitas – coisas.

Eu posso te dizer que, nesta vida, há tantas pessoas que estão ou já passaram ao teu lado, e que você nem  viu, ou viu mas nunca enxergou que podem ou poderiam ter sido, para ti, a pessoa mais incrível deste mundo, o amor da tua vida.

Sim, eu posso dizer. Sabe por quê? Porque, na verdade, muitas vezes o próprio amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.

Quero dizer que amar os amigos e família é fácil, porque amar alguém que nos faz bem é natural. No grego, esse é o amor PHILOS. Mas Jesus diz que devemos amar até os nossos inimigos e orar por aqueles que nos maltratam, esse é o amor Ágape, um amor genuíno, incondicional e perfeito (1 Coríntios 13:4-7). Agora, esse amor de que mais falamos, o amor EROS, aquele entre homem e mulher, um amor mergulhado em paixão e romantismo, esse normalmente nós desvirtuamos e deturpamos por conta do preconceito fruto de más experiências, discriminações e implicâncias.

Não quero dizer para você dar uma chance à primeira pessoa que lhe der um “oi” que então vocês vão se amar e se apaixonar e viver um conto de fadas. Mas quero dizer que, com qualquer pessoa, conheça antes de julgar como ela é, o que ela quer e como vai ser. Tente entender que a vida oferece mais do que se pode ver.

É claro, procure sim ser feliz por si mesmo primeiro, não busque isso em ninguém. Seja feliz primeiro e então deixe que a vida lhe traga alguém com que você possa compartilhar a sua felicidade. Mas para isso, abra as portas. Viva com Deus. Receba o amor do pai e compartilhe o amor do pai. O mundo precisa de amor, porque já tem rancor demais.

– Léo Hideki Anagusko

27 de Julho – Aquele Dia Aconteceu

27 de Julho – Aquele Dia Aconteceu

Naquele dia ele estava angustiado. Os problemas que surgiam, ele parecia não conseguir resolver. Havia ido para a capital fazer um trabalho e aproveitou para ouvir as reclamações do inquilino de uma das casas de seus pais. O homem dizia haver um vazamento no quarto. Quando ele entrou lá, seus pés mergulharam na água, que jorrava pelo teto, escorria pelas paredes, e convergia num pequeno lago aonde deveria estar o chão. De repente se acometeu pávido. Jamais imaginara que fosse algo tão grave. O homem já havia perdido a cama, a televisão, e agora a estrutura da casa começava a correr risco.

No início ele pensava que não ficaria mais do que um ou dois dias, mas a semana já ia acabando, e a preocupação só fazia aumentar. Naqueles dias marcara com mais de meia dúzia de pedreiros, porém ninguém aparecera. Sua mãe estava distante, repousando em casa depois de operar o tornozelo. Semanas antes ela caíra da escada, e sofrera tripla fratura. Naquela noite viajara por três cidades, procurando algum lugar que pudesse prestar o tratamento adequado. Passara a madruga em claro e seguira para um hospital a 70 km na manhã seguinte para interná-la, onde ela passaria os próximos quinze dias. Não fora um procedimento fácil. Sua mãe tinha problemas no coração, sofrera três enfartos, e por isso tomava remédios para afinar o sangue. Os médicos diziam que com o sangue fino, havia risco de ocorrer uma hemorragia no momento da operação. Por outro lado, suspender os remédios por muito tempo poderia incorrer em seu quarto enfarto. Neste tempo ele viajara 140 km todos os dias, entre sua casa e o hospital, em idas e vindas. Ele estava exausto. Mas depois de muitas ponderações, a cirurgia fora feita com sucesso, e sua mãe ganhara nove pinos e uma placa, que carregara consigo para o resto da vida.

Seu pai não aguentava mais o stress, e o fato de o inquilino ser estrangeiro também não ajudava muito. O homem não falava bem o português, por isso apenas ele era capaz de se comunicar. Mas não era só isso. Naqueles dias ele sentira o peso do mundo em suas costas, e tentava se manter forte pois sabia, as pessoas esperavam isso dele. Seus pais estavam fracos, seus parentes o admiravam, seus colegas o olhavam, todos sempre tiveram tantas expectativas. Mas ele estava com medo. Seu trabalho estava em risco, seus projetos estavam em perigo, problemas irrompiam por todos os lados. Tantas responsabilidades e tão pouca maturidade. E se eu não conseguir resolver? E se nada der certo, se eu não for bom como esperam?

Às vezes tudo o que queremos é um pouco de apoio, uma palavra de conforto, uma luz para acreditar que tudo vai ficar bem. É como diz aquela música:

Não tem jeito. Algumas vezes você vai ficar triste. Lágrimas cairão, até poesia não pode esconder esse fato. E algumas vezes você não pode evitar de se sentir mais feliz quando ouve aquelas palavras. E com um sorriso vai cantar aquele poema e então…

Há tempos, as desilusões lhe fustigaram. Seus sonhos haviam se perdido em meio às tempestades que afligiram seu céu e assolaram sua terra. Ele não queria mais nada, mais ninguém. Trancara-se em seu próprio mundo, longe de todos, longe de tudo. Abandonara amigos, parentes e colegas. Desistira de Deus, desistira da fé, perdera a esperança. Ficara sozinho.

Mas ele se orgulhava de sua solidão. Era como a cicatriz de uma ferida de guerra. E ele usava isso como paládio, para se blindar das tormentas que a vida trazia. Era a sua segurança. A solidão era o que ele era. Na escuridão era onde ele vivia.

Mas naquele dia enfim reparara que não estava sozinho. Há pouco menos de um mês conhecera uma menina. Cheia de amor. Cheia de alegria. Ela havia sofrido coisas que uma menina jamais deveria sofrer. Mas mesmo assim era feliz. E isso o abismou. Não compreendia como alguém podia carregar tantos estigmas, e ainda assim conseguir sorrir dia após dia. E por todo esse pequeno tempo, fora ela quem lhe dera todos os raros motivos para seus próprios tímidos sorrisos. Por esse pequeno tempo, ela o fez companhia. Ela lhe trouxera brandura. O visitara em seus sonhos, segurara suas mãos, tocara seu coração. Ela o chamara de volta para cima.

Sem perceber, aos poucos algo ia acontecendo. Aquela menina alegre, sorridente, forte e feliz estava com ele. Ali, aonde mais ninguém podia chegar. Um lugar escondido, um lugar deserto, um lugar isolado, só dele. De repente, no meio do silêncio, tantas palavras. No meio do vazio, um sentimento brotava. Algo estava acontecendo. Ela tinha chegado. Ela havia entrado. E ele não estava mais tétrico. Ele ganhara carinho. Um brilho começara a iluminar seu caminho. Ele recebera a luz e agora podia enxergar.

Naquele dia ele teve medo. Não sabia bem o que estava sentindo. Mas percebera que era bom, que queria mais, que havia paz no meio de tanto tumulto. Naquele dia ele teve medo, não queria mais sofrer o que já sofrera, mas sentia algo tomar o seu peito.

Dizem que é na brincadeira que se diz a verdade. Não é preciso nenhum estudo para saber disso. Naquela tarde ele brincou, não saberia falar de outro jeito. Naquela tarde ele disse o que queria dizer. E fora tão estranho. No meio de uma frase qualquer, ele a pediu em namoro. Ela disse “aceito”.

Algumas coisas desejamos tanto que todo o resto parece não importar. Quando não conseguimos, a decepção pode ser cruel. Ela pode nos fazer querer desistir.  Mas então um dia, Papai do Céu no trás um presente. Aquele que a gente não faz ideia do que é, nem para que serve, nem mesmo entende o seu porquê. Mas o homem lá de cima sabe o que faz, e algumas coisas simplesmente não precisam fazer sentido, basta valer a pena.

Aquele dia, aquela pergunta, aquela resposta, aquele caminho. Aquela menina mudou seu destino. Ela sabia coisas, e ensinou para ele. Ela acreditava em coisas, e passou para ele. Aquele menino assustado voltou a acreditar. Ele saiu das sombras. Ficou de pé. Retomou o seu lugar. E ele pensou quem sabe é isso que é o tal do amor. Pode ser. Mas foi só um vislumbre. Na realidade eles mal haviam começado. Mas naqueles poucos dias de inverno, ela havia dado muito de si. O bastante para que ele pudesse subir. Ela o trouxe de volta à vida, e agora ele podia prosseguir.

Há coisas na vida que são tão fortes, tão belas, tão especiais, que com palavras não se pode explicar. Então a gente não diz nada, simplesmente sente.

Naquele 27 de Julho de 2014, às 13h38min, ele fez um pedido que o mudara para sempre. Ganhara um presente dos céus. Um regalo divino. A lógica dizia para esquecer, mas naquela tarde, a lógica provou estar errada. Ele jamais esperara receber do nada algo tão importante em sua vida. Mas aconteceu. E ele cresceu, e se tornou melhor.

E hoje ele está triste por não tê-la mais ao seu lado como fora um dia. Mas está feliz por tudo o que ela fez e pelo que ela significa para ele. E agora ele sabe o que fazer. Ele vai continuar respirando, porque amanhã o sol vai nascer de novo, e quem sabe o que a maré pode trazer?


Escrevi este conto em 2014, para uma namorada que eu havia acabado de perder. A história é real e ganhou outros capítulos não contados, mas até hoje esse texto estava guardado, até que finalmente me livrei das mágoas e traumas do passado. Agora o publico pois o vejo como apenas arte. E como outrora eu disse:

Acredito que Arte é a fascinante forma de capturar um sentimento puro e materializar em uma obra. Seja ela um livro, um filme, uma peça, uma pintura ou uma poesia. É por isso que há tantas pessoas que não sabem reconhecer e nem valorizar a arte. Porque na verdade, são vazias por dentro.

– Hideki Anagusko